História da Tipografia – origem da escrita

Não há ao certo uma data exata de quando surgiu o ser pensante e consciente denominado homo sapiens. A humanidade na busca incessante das suas origens fez grandes descobertas que nos diz sobre nossos antepassados.

Aos poucos, com a “benção da evolução” fomos ficando eretos, deixando de usar apenas a força bruta, melhorando nossas técnicas de sobrevivência, nos interagindo com os outros seres desenvolvendo a comunicação.

Uma real e significativa evolução foi a utilização da mão para informatizar tudo que o ser humano tocava. Tomamos aqui o conceito de informatizar como transformar, combinar, alterar, mudar a função de determinado objeto. Com a habilidade de construir abrigos, armas, etc, veio também a habilidade da escrita. E com a escrita, separamos o que era pré-histórico.

Lascaux, um complexo de cavernas ao sudoeste da França, data os primeiros traços da humanidade, traços esses que vem do Alto Paleolítico. A comunicação visual começa dar seus primeiros passos com essas pinturas rupestres. Desenhos de animais pintados com um tom negro que era feito com carvão, tons amarelos claros e marrons também compunham essa paleta de cores. Vale destacar que esses desenhos eram pictografias. Diferente dos ideogramas (desenhos que representam conceitos), as pictografias são desenhos que representam coisas.

Desenhos de animais nas cavernas em Lascaux, c. 15000 - 10000 aC.

Desenhos de animais nas cavernas em Lascaux, c. 15000 – 10000 aC.

Outra grande importância na evolução humana rumo a civilização foi a chegada dos sumérios à Mesopotâmia. As necessidades de se administrar matéria-prima eram muitas. Criou-se então um sistema de escrita que tinha como suporte a argila. Esse sistema evoluiu até chegar na escrita cuneiforme, método que utilizava um estilete, pressionando-o contra a argila.

A escrita cuneiforme dos Sumérios respeitavam uma grid de linhas horizontais e verticais, e depois de algum tempo passaram a escrever da esquerda para direta e de cima para baixo. Essa escrita era complexa e de difícil dominação. Havia uma escola escriba denominada edubba, seus métodos de estudo e trabalho eram bastante rígidos. Porém, grandes oportunidades pareciam para aquele que dominasse a escrita: sacerdócio, administração de imóveis, contabilidade, etc, escrever era considerado ato de grande importância.

A grande novidade da escrita trouxe consigo uma grande expansão de informações. Grandes bibliotecas de tabuletas de argila foram criadas. Vários assuntos eram abordados: religião, medicina, história, matemática, direito, etc. Também possibilitou o surgimento de códigos e leis, como o código de Hamurabi. Escritas numa estela de 2.44 metros de altura, as 282 leis foram talhadas em rocha. São leis claras e breves que especificavam as infrações e suas penalidades severas.

hammurabi

Estela com o código de Hamurabi. Escrito entre 1792 e 1750 a.c. No topo, aparece o deus Samash ordenando ao rei que o código seja escrito. Uma comunicação forte é expressa com a representação do deus no seu topo.

A identificação de assinaturas na Mesopotâmia era feita por meios de sinetes cilíndricos, uma espécie de assinatura visual para evitar falsificações das tabuletas.  Com desenhos ricos em detalhes nas suas laterais e na sua base, o portador do sinete poderia usar como um carimbo ou rolar o sinete por toda a argila, criando uma imagem panorâmica dos desenhos. Os usuários usavam esses sinetes preso no pescoço ou no pulso, uns até indicavam status e posições hierárquicas da época.

cilindro

Sinete cilíndrico com ilustração nas laterais para rolagem. Na base, havia desenhos utilizados para cunhagem.

Em 538 a.C, com grande riqueza e uma população que chegava perto de 1 milhão de habitantes, a Babilônica e a Mesopotâmia sofreu um grande ataque do poderio Persa. Em seguida veio a Grécia e Roma. A grande cultura e civilização da Mesopotâmica foi caindo aos poucos, sua grande invenção e o legado da humanidade que era a escrita, foi levando adiante ao Egito e à Fenícia.

 

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